Graffiti

Selva Mãe do Menino Rio, de Daiara Tukano. Festival CURA 2020

Como já foi dito, o ser humano desenha nas paredes há milhares de anos: desde as pinturas rupestres em paredões de pedra na pré-história, passando pelas ilustrações nas paredes das tumbas dos faraós do Egito Antigo e até hoje nos muros das grandes cidades. 

O graffiti como conhecemos hoje em dia surgiu na década de 1970 nas periferias da cidade de New York (EUA) e, ligado à cultura do hip hop, se difundiu pelo mundo como uma expressão de si e como uma manifestação com caráter contestador reivindicando garantias de direitos sociais. Nesse local, viviam populações negras e de origem latina que enfrentavam problemas como racismo, violência, carência de serviços públicos, entre outros. Como essas questões ainda são atuais, essas intervenções gráficas nos espaços públicos trazem, até hoje, os efeitos disso em seus desenhos e escritas.

Um dos artistas pioneiros do graffiti estaduniense foi Jean-Michel Basquiat (1960-1988). De origem afro-latina, ele trabalhava com a ligação entre o graffiti e o hip-hop em suas pinturas e também discutia a exclusão social e o universo dos imigrantes (como sua família). Na época em que trabalhava nas ruas com seu amigo Al Diaz, Basquiat utilizava o pseudônimo de SAMO (sigla para “Same old shit”) e mais tarde começou a circular com artistas como Andy Warhol e Madonna.

Se no início era alvo de muitas críticas, hoje em dia o graffiti entrou em galerias de arte badaladas e está frequentemente presente na moda, sendo encontrado em estampas de tecido. Muitos artistas são contratados e viajam pelo mundo para criarem seus murais em espaços públicos ou privados, até mesmo dentro de casas ou lojas. Entretanto, isto não é uma regra e nem gera menos discussões. Se por um lado ainda há quem enxergue como vandalismo e mande apagar os murais, muitos artistas consideram que o lugar do graffiti é justamente na rua por ser mais democrático e de fácil acesso a qualquer pessoa. Ninguém precisa pagar um ingresso para observar e apreciar essa arte nas ruas da cidade.

Empena de Letras para o Festival CURA 2018

Na imagem acima podemos observar os dois estilos de escrita do graffiti mais conhecidos: à esquerda temos o wildstyle, com letras coloridas e estilizadas e à direita os tags onde, ainda que estilizadas, são mais simples. Esse mural de wildstyle foi criado por 21 artistas para o Festival CURA (Circuito Urbano de Arte) no ano de 2018, na cidade de Belo Horizonte (MG). 

Este festival teve sua 5ª edição em 2020 e conta sempre com diversos artistas que, além dos graffitis, criam intervenções na cidade com lambe-lambes e bandeiras e geram muitos debates sobre essa linguagem expressiva e a sociedade. Se quiser conhecer mais sobre, é só clicar aqui.

Referências:

BUROCCO, Laura. CURA e Vozes Contra ou Racismo: práticas artísticas e curatoriais da Contra Colonização do Sul. Roots and Roots: Research on visual cultures (site), Roma. 2020. Disponível em: https://www.roots-routes.org/cura-e-vozes-contra-o-racismo-pratiche-artistiche-e-curatoriali-di-contro-colonizzazione-dal-sud-di-laura-burocco/. Acesso em: 18 de Mar. de 2021.

GRAFFITI . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3180/graffiti. Acesso em: 19 de Mar. 2021. Verbete da Enciclopédia.

Sites: 

BASQUIAT. Site oficial do artista. http://www.basquiat.com/

CURA, Circuito Urbano de Arte. https://cura.art/

DASArtes. 7 curiosidades que você não sabia sobre Basquiat

dasartes.com.br/de-arte-a-z/7-curiosidades-que-voce-nao-sabia-sobre-basquiat/

GRAFFITERIA, Rodrigo CB. Canal de YouTube. http://www.youtube.com/channel/UCZzkC1y9pVoXNy6tffGt94Q

Perfil oficial do Festival CURA no Instagram. http://www.instagram.com/p/Brn_g-cBnX4/

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